O 6° Campeonato Mundial Junior de Karate foi realizado no Complexo Esportivo Príncipe Moulay Abdellah Sport em Rabat, Marrocos, durante os dias 12, 13, 14 e 15 de novembro, e os maricaenses Eric Henrique Braga, Larissa Barbosa Braga e sua mãe, Ana Maria Barbosa Braga, se tornaram os primeiros karate-ka da história do karate da Região dos Lagos do Rio de Janeiro a viajarem para o maior evento do planeta desta arte marcial.
Esse desafio transcontinental foi possível graças a uma bela história que merece ser contada, a qual começa com os sonhos que nos movem.

Durante as batalhas ao longo do ano de 2008, nossos Eric e Larissa conheceram uma "fada madrinha". Muito além de bem sucedida profissionalmente, a competente jornalista Renata Capucci, âncora do telejornal RJ TV da Rede Globo de Televisão ao lado de Márcio Gomes, revelou-se para nossos atletas com superlativos atributos de humildade, atenciosidade, simpatia e solidariedade.
O empenho realizado por esta profissional do mundo da comunicação produziu algumas reportagens
de destaque estadual e até nacional, que veicularam a história dos feitos de nossos pequenos guerreiros. Através de uma destas reportagens (foto a dir. com o repórter Vinícius Assis), eis que um "anjo da guarda" se voluntariou para viabilizar a realização deste sonho.
Sensibilizado com a campanha antes e durante o XX Campeonato Pan-americano Junior, e quase que em anonimato, o Sr. Márcio Vignoli entrou em contato para ofertar passagens e hospedagem para os atletas Eric Henrique Braga e Larissa Barbosa Braga, e sua mãe viajarem ao 6° Campeonato Mundial Junior de Karate no Marrocos. Confesso aqui que tenho dificuldades de expressar em palavras a dimensão do gesto e a nossa eterna gratidão por tamanho desprendimento e solidariedade. 
O Campeonato Mundial Junior de Karate é realizado bi anualmente pela Federação Mundial de Karate (WKF), entidade reconhecida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e com 209 países filiados, dos quais 82 levaram 1144 atletas ao Marrocos. A WKF inovou nesse evento ao promover através de seu web site a transmissão ao vivo em vídeo. 

Por conta dos hoteis lotados, a delegação brasileira se hospedou em duas cidades: Rabat, capital do Marrocos, nos hoteis Balima e Mercure chehrazade, onde ficou Genival Ferreira, técnico da modalidade kata (luta imaginária pré determinada), e Casablanca, onde ficaram os atletas do shiai kumite (luta por pontos) sob os cuidados do técnico Rodrigo Barbosa Terra e do Diretor Técnico da CBK, Sensei Wladimir Romic, que é árbitro internacional e atuou neste Mundial.
Romic Sensei (sentado a frente da placa) representando o Brasil no quadro de árbitros, que carece de muitos outros brasileiros...
Graças ao patrocínio da ConeSul e
do apoio da Prefeitura Municipal de Maricá, que através do esforço do Prefeito Washington Siqueira e da Secretária de Esportes, Profª Dilcinete Grijó, contribuiu com as taxas de inscrição, alimentação, translados e indumentária completa homologada pela WKF (foto ao lado), no dia 09/11, as 21:20h, ansiosos, Eric Henrique Braga, Larissa Barbosa Braga e sua mãe, Ana Maria Barbosa Braga, embarcaram no Aeroporto Internacional Tom Jobim. Após uma longa e fria conexão em Paris, França (2°C de temperatura), nossos guerreiros chegaram em Rabat, Marrocos, no dia seguinte as 21:30h do horário local (+ 3h que Brasília). 
Na manhã seguinte, 11/11, se encontraram com o técnico Rodrigo Barbosa Terra e outros atletas da Seleção Brasileira, que iriam confirmar as suas inscrições. A tarde se deslocaram para Casablanca para os últimos e intensos treinamentos antes da contenda. Após sacramentarem as inscrições no hotel Golden Tulip (sede administrativa do evento), junto com as delegações dos países que fizeram de Rabat a capital mundial do karate durante o mês de novembro, após algum descanso, os bravos brasileiros seguiram rumo ao ginásio onde se realizou a competição.



Obrigado aos amigos pelas mensagens de fé, coragem e incentivo!
V A L E U__B R A S I L !
Entre "mortos e feridos" alguns sobreviveram, e nossos pequenos guerreiros puderam desfrutar de momentos de alegria, tristeza, decepção e quiçá, redenção. Que a benção de Deus e alguns sábios pensamentos os acompanhem nesta que foi uma difícil mas honrosa jornada.
- Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas.
- Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória obtida sofrerá também uma derrota.
- Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas".
Sun Tzu
"Sucesso é a prática constante de fundamentos e ações vencedoras. Não há nada de milagroso no processo nem sorte envolvida... Amadores aspiram... Profissionais trabalham..." Autor desconhecido
ConeSul - Tecnologia Educacional ao alcance de todos
Empossado em jan/2009, o Prefeito Washington Siqueira se esforça para viabilizar a sustentabilidade do esporte amador da cidade

Saúde, Fitness & Esporte, simplesmente a n° 1 em Maricá
Opinião sobre as hipóteses do desempenho do Brasil em Mundiais
Levando em conta o resultado geral do Mundial e suas estatísticas, e que o Brasil tenha enviado a segunda maior delegação deste Mundial (32 atletas), empatado com França (quase vizinha do país-sede) e Croácia (próxima sede do Mundial Senior), infelizmente, nosso país não conquistou as tão almejadas vagas no pódio. Esta disparidade nos remete a algumas reflexões, as quais ouso conjecturar a respeito.
- Fatores geopolíticos
Pessoalmente, vejo cinco níveis de países no karate competitivo mundial:
1- Os de ponta. Aqueles que sempre brigam pelas três primeiras posições ou que invariavelmente sempre conquistam mais que duas medalhas de ouro. São eles Japão, França e Itália.
2- Os emergentes. Ficam nas posições intermediárias como Irã, Espanha, Egito, Turquia e Inglaterra;
3- Os perseverantes. Conseguem quando muito uma prata e quase sempre beliscam um bronze;
4- Os presentes. Lutam, se empenham mas sempre falta algo para o pódio.
5- Os ausentes. A WKF tem 206 federações filiadas e dificilmente há mais de 100 que participam de fato dos mundiais.
Com base no quadro de medalhas dos Mundiais, de um modo geral, realmente o nível do karate asiático e europeu se encontra alguns degraus acima do americano. Talvez isto ocorra devido o histórico competitivo desses continentes, que aparentemente não se submeteram a fragmentações em organizações mundiais de pouca expressão e sem o reconhecimento do COI. A proximidade geográfica de seus países, principalmente os da Europa, que cabe inteira dentro do território brasileiro (com direito a parte europeia da Rússia), facilita um rico intercâmbio cultural, econômico e esportivo. Uma vez que abaixo da linha do equador só temos a Austrália e Nova Zelândia como países desenvolvidos, e em nosso continente apenas Canadá e EUA, contra nós americanos, talvez a questão econômica seja um ponto a se considerar. No entanto, países latinos como México, Peru e Venezuela têm conseguido lugares ao sol no panorama do karate mundial.
- Fatores políticos do Brasil
Há de se rever a hierarquia de prioridades que as políticas esportivas são ofertadas em nosso país, pois, ao contrário do que pareça, não é tão somente uma questão econômica, uma vez que países como China, Egito, Turquia, Irã e Marrocos entre outros, todos com menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) que o Brasil, marcaram presenças no quadro de medalhas neste último Campeonato Mundial Juvenil.
No universo dos esportes, seja em alto-rendimento ou alta performance, não há margens para erros ou meias medidas. Sempre há de se fazer o melhor com o que de melhor se tem disponível. Em geral, lamentavelmente, o que sobra para o esporte amador são migalhas e/ou a dependência que possuem dos clubes de futebol. A agravante desta história, especialmente para o karate, que injustamente ainda não integra o programa dos Jogos Olímpicos de Verão, chama-se Lei Pelé. Esta lei fomenta a fragmentação das modalidades esportivas não-olímpicas em diversas organizações administrativas, o que enfraquece o pinçamento das amostragens, confunde a imprensa, patrocinadores e público, além de propiciar a manutenção de nichos político-eleitorais que acabam por usufruir desta nefasta legislação. Provavelmente o karate é a arte marcial mais praticada no Brasil e no mundo dada a sua versatilidade e flexibilidade quanto a instalações. Como fazer para que o Brasil não se apresente como um pequeno país? Afinal, não somos um país que gosta de lutas? O judo, a capoeira, o jiu jitsu e o mma (ainda que por motivos financeiros) não são exemplos de modalidades muito praticadas e com brasileiros bem sucedidos? Não podemos verdadeiramente fazer seleções e seletivas sem que todos estejam no mesmo circuito. Segundo palavras do Hanshi Benedito Nelson, budo-ka de primeira grandeza: "É inconcebível termos cinco, seis campeões estaduais de uma mesma coisa".
- Fatores da cultura nacional
Dado o seu parco desempenho Olímpico, o Brasil se mostra um país que não valoriza o esporte dito individual. Prova disto foi ver há cerca de duas semanas a atleta medalha de ouro no atletismo em Pequim, Maurren Maggi, se anunciando desempregada e sem patrocínio. Em nossa nação, o atleta se desenvolve num cenário lastimável em que vê os "pontas de flecha" serem tratados de modo descartável, uma vez que se nota pouco apoio já nas suas formações de base. O que esperar de quem está começando? Que futuro os aguarda após anos e anos de intensas preparação e dedicação.
Por outro lado temos esportes como o futebol, que mais parece um grande negócio a esporte propriamente dito. É inegável o monopólio esportivo que vigora no Brasil. Há quem diga que já foi pior. Questiono se este cenário ficou assim realmente por gosto popular ou por uma certa imposição por parte da imprensa, uma vez que é muito rentável manter milhares de pagantes em um evento que dura em média cerca de 90 min. Será que nossa população teve ou tem acesso as diversas modalidades esportivas? E quem prestigia através das tvs ou arquibancadas, tem oportunidade de conhecer e torcer por outras modalidades fora das duas semanas Pan-Americanas e Olímpicas? E este acesso ainda que por tv, seria massificado por tv aberta ou até nisto refletiríamos a nossa absurda desigualdade social?
- Fatores administrativos
Embora pareça o primeiro lugar a se apontar (o nosso próprio umbigo), independentemente das lideranças que tivemos, temos ou tenhamos, creio que o cenário é completamente desfavorável para qualquer gestor.
De novo lembro da Lei Pelé. Conforme todos sabem, ela permite que uma mesma modalidade possa ter diversas entidades regionais, estaduais e até federais para o mesmo fim. No popular, ela permite que todo mundo seja "cacique". O site do ME está repleto de confederações de karate, todas de alguma forma desconstruindo a elevação de nosso patamar técnico. Ainda que se saiba que a CBK é a oficial, a mais antiga, a que tem mais representatividade nos estados e mais praticantes, a dissipação de recursos humanos e finaceiros se torna inevitável. Imaginem se todas as bolsas atleta fossem direcionadas para uma única entidade? Provavelmente teríamos TODOS os atletas da Seleção Brasileira com recursos mínimos para as suas preparações e viagens. Seriam jovens de catorze até seus trinta e poucos anos. E ainda teriam os das Seleções Estaduais, que provavelmente seriam consideravelmente beneficiados. Ainda há a confusão gerada nos municípios, que em geral contribuem para a realização de eventos. Tudo isso sem falar na agregação de maior competitividade, público e imprensa, que é quem catalisa o patrocínio privado. De modo algum o atleta deve se sentir vitorioso por simplesmente conseguir o ticket de embarque. Isso tira o foco. O intercâmbio deve(ria) ser algo corriqueiro. Ele deve(ria) ter "intimidade" com seus grandes adversários, árbitros e ginásios.
Para piorar o estado de coisas, o karate ainda tem uma fonte de cobiça: os dan (graus). Historicamente sabemos que este "comércio" sempre poluiu a nossa arte marcial. Como regulamentar este status quo?
Vale lembrar que não vemos o judo dividido aqui no Brasil, simplesmente porque são Olímpicos e com isto recebem repasses do COB. Mesmo se tivessem "desertores", como iriam recrutar praticantes e professores sem essas benesses? Infelizmente, é um "trunfo" que o karate ainda não possui.
- Fatores profissionais
E o que dizer da desvalorização profissional em nossa arte? Salvo raríssimas excessões que aderem ao profissionalismo do show business do mma, é fato que o karate não consegue agregar valores humanos que continuadamente se sustentem dignamente do meio. Obviamente não estou falando de competências trazidas "de fora", mas sim de carreiras consistentemente construídas no seio do karate. Tal fato se acusa ao não termos em nossas comissões técnicas profissionais como cinesiologistas, fisiologistas, psicólogos, nutricionistas e preparadores físicos, entre outros. Quando os dispomos, são a título de voluntariado ou quase, na melhor das circunstâncias. Tecnicamente também pagamos um alto preço por nossa legislação, pois ao "apertar" a intensidade das aulas ou o circuito de competições se tornar mais excludente, essência do esporte de alto rendimento, o profissional (ou federação) corre o risco de ver seus filiados competirem no "concorrente", e com isso o nosso nível, comparado ao patamar mundial, fica comprometidamente estagnado ou defasado, uma vez que em sociedade capitalista, como o próprio nome diz, o capital é a mola mestra.
José Roberto Braga Prof° Ed. Física, faixa preta 3° dan e Diretor Técnico da AMK

































A Associação Maricaense de Karate-Do desenvolve voluntariamente no Colégio Estadual Domício da Gama, o projeto Vencer a si próprio. Este projeto de iniciação esportiva tem por objetivos alavancar a capacidade de aprendizagem dos alunos da escola através da prática não só esportiva, mas também cultural, educacional e motivacional, além de promover a socialização dos escolares tendo como principal incremento a prática desta arte marcial que se fundamenta na educação da vontade e em apurado treinamento físico e mental.Para conhecer mais sobre estes guerreiros e o projeto Vencer a si próprio, acesse nosso site 






Sensei Rodrigo Barbosa Terra organizando a entrada do Pavilhão Nacional














